Compra secreta de 17% das ações da Hermès pelo grupo da Louis Vuitton deflagra batalha entre as duas principais marcas ou (grifes) francesas
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O interesse do grupo LVMH pela Hermès tornou-se público em 2008, quando Arnault fez uma proposta formal de compra de ações da empresa. Patrick Thomas, CEO que representa os cerca de 70 acionistas da sexta geração da família Hermès, recusou prontamente. Arnault não se deu por vencido e começou a estudar uma forma de conseguir as ações mesmo sem o consentimento dos sócios majoritários. Lançando mão de um estratagema financeiro, o grupo LVMH comprou de um agente financeiro o direito de adquirir as ações da Hermès sem revelar sua verdadeira identidade. “Para a família, não havia nada de suspeito na transação, que está totalmente dentro das leis do mundo financeiro”, explica Cristina Melo, professora de economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Porém, utilizar-se deste expediente para comprar ações secretamente não é uma prática bem-vista no mercado.”
| FARPAS DOURADAS Patrick Thomas, CEO da Hermès, foi surpreendido pelo ataque de Bernard Arnault (abaixo), presidente da LVMH A ofensiva da LVMH ocorre no ano em que a Hermès registrou a melhor performance de toda a sua história. Segundo dados divulgados pela companhia, as vendas cresceram em média 20% em 2010, atingindo 1,6 bilhão de euros em apenas três trimestres. De julho a dezembro, as ações da grife subiram mais de 65%, tornando-se um dos ativos mais rentáveis da bolsa francesa. “Além da questão financeira, ter a Hermès em seu portfólio traz um enorme prestígio ao grupo LVMH”, afirma Suzane Strehlau, autora do livro “Marketing de Luxo”. “Com a popularização de sua principal marca, a Louis Vuitton, o conglomerado necessitava de um novo nome que representasse o máximo de exclusividade, caso da Hermès.” Enquanto a bolsa de Paris investiga a compra das ações pela LVMH, o grupo deve focar seus planos no futuro. “Mesmo que Arnault não consiga aumentar sua parte na Hermès hoje, a expectativa reside nas futuras gerações de herdeiros, que talvez não tenham a mesma paixão e desejo de união de seu fundador”, diz Suzane. |

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